NOSSOS HERÓIS MORRERAM DE OVERDOSE?

O Brasil não é tão ruim quanto te ensinaram na escola. Nem os portugueses foram apenas vilões cruéis e exploradores como muitos livros querem fazer parecer.

A História nos foi contada com tintas ideológicas e interesses políticos e, muitas vezes, foi manipulada ao ponto de transformar heróis em vilões e distorcer completamente o que somos como povo.

O verde da nossa bandeira não representa as matas, tampouco o amarelo simboliza o ouro (que justificativa ridícula e infantil). A verdade histórica é que o verde representa a Casa de Bragança de Dom Pedro I, e o amarelo, a Casa de Habsburgo de Dona Leopoldina. A bandeira nasceu de uma linhagem real e de uma independência cuidadosamente construída, e não de uma estética ecológica ou riqueza mineral.

Dom João VI, longe de ser o bufão gordo e desleixado retratado nos livros e nas séries da Globo, foi um estadista astuto e responsável pela vinda da Corte para o Brasil em 1808, uma jogada que salvou a monarquia portuguesa da destruição napoleônica e elevou o Brasil a Reino Unido. Foi ele quem abriu os portos, incentivou o comércio e estruturou instituições que pavimentaram nosso caminho para a independência.

E Dona Leopoldina, figura frequentemente esquecida mas absolutamente decisiva, primeira imperatriz do Brasil. Mulher extremamente culta, centrada, profundamente devota e educada para se dedicar ao Brasil, que teve um papel político tão importante, especialmente durante o processo de independência (e você aí achando que a Dilma foi a primeira mulher relevante para nossa política). Ela entendia o momento histórico, tinha sensibilidade política e visão estratégica. O grito no Ipiranga começou com a sua carta, com a sua coragem, com a sua inteligência. Ela foi muito mais que consorte, foi a “mãe da independência”.

E o filho que ela deixou ao Brasil, Dom Pedro II, um dos maiores chefes de Estado do seu tempo. Poliglota, apaixonado por ciência e arte. Um imperador que preferia bibliotecas a banquetes, que governou por quase 50 anos com dignidade, promovendo paz, progresso e cultura. Sob seu reinado, o Brasil foi respeitado no MUNDO. E não foi por acaso, teve sua formação moldada por ninguém menos que José Bonifácio, o “Patriarca da Independência”.

José Bonifácio não foi apenas um político. Foi um gigante do pensamento, intelectual, de uma inteligência inenarrável, que trocou a glória internacional pelo sonho de ver o Brasil livre. Construiu nossa pátria, desses que deveríamos estudar em cada sala de aula (e você nem sabia quem ele foi).

Ou da Princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea, um dos pontos mais marcantes da nossa história, enfrentando pressões imensas em uma dos últimos países do Ocidente que ainda insistia nessa chaga que foi a escravidão. Ao seu lado, Joaquim Nabuco, um dos maiores intelectuais da nossa história, lutava com palavras e ideias contra a escravidão, porque ele sabia que não bastava abolir, era necessário mudar a CULTURA.

E Padre José de Anchieta, como não falam dele???

Missionário, poeta, linguista, educador. Foi um dos primeiros a entender que o futuro do Brasil nasceria pela educação. Aprendeu o tupi, escreveu a primeira gramática da língua, alfabetizou povos, formou líderes, EDUCOU. EVANGELIZOU.

Todos enterrados na terra do esquecimento.

Enquanto isso, nos venderam um herói fabricado. Tiradentes, com feições de Jesus e aura de martírio (muita forçação de barra). Um símbolo útil à nova república. Sim, ele foi corajoso, mas sua história ser transformada em lenda, enquanto tantos heróis verdadeiros foram empurrados para a escuridão da memória, não faz muito sentido.

Por quê?

Porque nos roubaram a história. E quando se rouba a história, se rouba a identidade de um povo.

“Infeliz do país que precisa de heróis”, disse o autor alemão marxista Bertolt Brecht, uma das grandes vozes do século XX.

Mas eu digo: infeliz do país que esquece os seus.

A figura do herói é necessária. É uma forma de se “palpar” a virtude.

Na antropologia o herói é como se fosse um espelho mítico. É uma referência que orienta a sociedade e dá forma ao imaginário coletivo.

Quem nós vemos quando olhamos no espelho brasileiro? O Neymar?

Todas as civilizações, desde as mais antigas, se construíram ao redor de heróis. Porque o ser humano PRECISA de exemplos concretos de grandeza.

Eu acho que você já ouviu por aí que somos seres miméticos né! Pois é. Quem estamos imitando?

Não é para ser perfeito. Mas tem que ter valores a serem imitados.

Quando destruímos nossos heróis, seja por descaso ou ideologia, não estamos só apagando o passado: estamos quebrando o espelho onde nossa identidade se forma.

Esse vácuo não fica vazio por muito tempo, ele será ocupado por ressentimento, cinismo ou culto ao poder (parece familiar para você?)

Nos forjaram seres sem heróis, ignorantes e, consequentemente, prisioneiros.

E não há nada mais conveniente para projetos autoritários do que um povo que não conhece sua própria origem.

Porque quem esquece seus heróis, se ajoelha diante de qualquer salvador da vez.

Precisamos resgatar nossos heróis e nos libertar da nova escravidão: a ignorância.

Porque nossos heróis NÃO morreram de overdose.

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