Eu já comentei com você que esse blog foi criado com o intuito de incentivar o hábito da leitura, para ajudar o seu cérebro a não atrofiar com o uso excessivo das telas e, também, para te ajudar a saber mais sobre você!
Dito isso, SEMPRE (eu disse SEMPRE) que você for pensar sobre suas ações, emoções, reações e todos os outros “ões”, parta do princípio de que você é um ANIMAL (não estou te xingando — nós realmente somos animais), mas um animal RACIONAL. — Acho que aqui não preciso explicar tudo o que implica ser racional, ou preciso? Se sim, isso será pauta para outro texto.
Pois bem.
Se somos animais, nossas ações derivam, principalmente, de instintos. E aqui vale recorrer à linha estoica, que parte da ideia de que todo ser vivo nasce com um impulso natural de autopreservação. Logo, agimos, primeiramente, buscando nos manter vivos, seguros, sermos aceitos e… reproduzir (óbvio).
O instinto também nos conduz fortemente à busca do prazer e à fuga do mal (mas isso também é tema para outro texto).
Agora, se somos racionais, nossa razão serve justamente para orientar esses instintos que se manifestam como vontades, desejos e impulsos.
Freud defendia que a ação humana é movida por pulsões, não por escolhas conscientes. E a pulsão, diferentemente dos impulsos, não é uma questão puramente biológica, mas sim psicossomática e resulta em desejos moldados pelas nossas experiências, cultura e pelo subconsciente.
Enfim, entrando no campo da minha reflexão antropológico-filosófica sobre o porquê, de forma geral, as mulheres preferem malhar pernas e glúteos, enquanto os homens preferem peito e braços, cheguei à seguinte teoria:
Em algum momento da história, foi incutida em nossa mente uma ideia de beleza associada a homens fortes e mulheres com curvas acentuadas.
E aqui é muito nítido que não se trata de uma beleza no sentido estético moderno, mas sim de indicadores funcionais.
Lembra daquela questão da autopreservação?
Homens fortes → força física, proteção, capacidade de prover
Mulheres com curvas → fertilidade, saúde reprodutiva, capacidade gestacional
Somente lá na Grécia Antiga, com a influência de Aristóteles, é que o corpo humano passou a ser visto como expressão de ordem, virtude e equilíbrio. Até então, era puramente instintivo mesmo.
(Esse tema é tão denso que poderíamos discutir sobre: a falsa ideia de que a beleza é totalmente subjetiva; refletir sobre a importância do corpo e da saúde; analisar como a modernidade distorceu o conceito de “Belo”; ou ainda falar de como e quando o corpo virou mercadoria e instrumento de comparação. Mas o objetivo aqui é mais direto: entender a razão, essencialmente, de homens tenderem a focar em braços e peitoral, enquanto mulheres priorizam pernas e glúteos.)
“Não passe muitos treinos de braço, professor. Não quero ficar muito forte, com braços masculinos”, disse Valentina ao seu personal trainer, Enzo.
“Eu não gosto de malhar braços”, disse minha amiga, ao começar a musculação.
Por que você malha?
Se responder que é por saúde, tá mentindo!!!
Acontece que ninguém começa a fazer musculação porque gosta, muito menos por saúde (pelo menos não a maioria).
A verdade é que todo mundo começa a fazer musculação como uma ação de autopreservação: se manter vivo, seguro, ser aceito e… reproduzir.
Serei ainda mais radical:
Seguramente, afirmo que a principal razão é a reprodução (e, aqui, leia-se “acasalar”).
Sim! Lembra da ação instintiva?
Você busca ficar mais atraente, o que, consequentemente, resultaria na atração de um(a) parceiro(a); isso, por sua vez, levaria a uma relação sexual e, por fim, geraria um filho.
Reproduzir.
E é por isso que, essencialmente, as mulheres preferem malhar a parte inferior do corpo e os homens, a parte superior. Porque, irracionalmente (animalescamente), nosso cérebro processou que esse é o padrão físico que cada gênero “deveria” ter. São os atributos que cada sexo precisa valorizar.
“Nossa, Lídya, mas tudo para você se reduz à reprodução?”
Para mim, não. Para os animais, sim!
Mas lembra que eu disse que somos animais racionais?
Eis que há a razão para educar nossos impulsos e nos direcionar para o bem (e claro que reproduzir também faz parte da busca pelo bem…, só que isso também é assunto para outro texto).
Eu, hoje, gosto muito de treinar ombros (é meu treino preferido), mas eu já fui do time que não gosta de malhar braços.
E percebo que passei a gostar do treino de superiores porque é onde eu vejo, nitidamente, o resultado de todo o meu esforço.
Aquela amiga que “não gosta de malhar” braços, não gostava de malhar de forma alguma, e agora está tomando gosto pelo exercício. Por quê? Porque está vendo resultado.
O resultado cura! Ele faz parte daquele “bem” que a razão almeja.
E aqui eu também poderia deslanchar falando sobre as virtudes e a importância de se adquirir bons hábitos e blábláblá (não tão blábláblá, porque é coisa séria).
Acontece que este texto todo foi só para te dizer que há uma explicação antropológica para (muitos dos) nossos comportamentos e escolhas, e que estudar amplia nossos horizontes e nos possibilita exercer nossa individualidade.
Assim como a musculação, o estudo é um hábito que demanda tempo, paciência e dedicação, e que (quase nunca) começamos porque gostamos, mas os resultados colhidos podem curar nossa alma.
Não comece/faça algo apenas pelo instinto, pelo desejo ou pelo prazer.
Deixe sua razão te guiar para o bem.
Saiba que você é um ser racional e faça jus a isso. Se permita exercer sua individualidade.
Vá malhar (braço, perna, tanto faz…), só não esquece de malhar o cérebro também.


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