Um discurso sobre o Amor

Dias atrás, enquanto eu participava do recolhimento na Igreja, me vi, mais uma vez, questionando Deus.
 
Sim, eu ainda questiono Deus. Hoje, talvez menos do que ontem, mas ainda questiono.
 
Engano seu pensar que pessoas religiosas tem uma fé cega, não pecam, ou que os virtuosos não lutam contra vícios, ou que o catolicismo seja um atestado de perfeição. Ser católica não é ser perfeita. Pecar, lutar contra vícios e até questionar Deus não é hipocrisia, é ser humana.
 
Ser católica é, em verdade, reconhecer que sou miserável e admitir que preciso de orientação para minorar essa miséria. Não é diploma de santa, mas matrícula na escola da santidade.
 
Tantos santos em quem se inspirar, e muitos preferem se voltar contra nós, reles e falhos mortais, atacando com discursos cheios de desprezo sobre o que significa ser religioso.
 
Mas, enfim…
 
Ontem eu me questionava sobre o seguinte:
Deus é onisciente; logo, sabia desde sempre que Adão comeria do fruto proibido e romperia com Ele. Não é coerente, portanto, supor que Deus tenha sido enganado ou que esperasse alguma ação de fidelidade por parte de Adão, pois tanto o engano quanto a expectativa são incompatíveis com a onisciência.
 
Então fiquei me perguntando qual o sentido de Deus ter criado o ser humano e o colocado no paraíso, se já sabia que haveria ruptura e a perda desse estado original?
 
Quando comecei a devagar sobre essa ideia, imediatamente me incorreu à seguinte conclusão:
 
Deus sabia que Adão romperia com Ele e, ainda assim, criou o homem e o colocou no paraíso.
Sabia que a humanidade continuaria a romper com Ele ao longo da história e, ainda assim, entregou o seu próprio Filho para nos redimir.
 
Certo do rompimento constante, através da obra redentora de Cristo, nos deu instrumentos concretos de reconciliação:
 
O batismo, que nos purifica do pecado original e introduz em uma vida nova com Ele.
A penitência, para sermos acolhidos e perdoados sempre que voltarmos a cair.
A comunhão, alimento da alma, que é consumido como sinal vivo de reconciliação, é Cristo em nós, mais uma vez restaurando o que o pecado rompeu.
Ele sabe que continuaremos rompendo.
Ele segue insistindo.
Ele segue nos possibilitando gozar da sua obra.
Ele segue nos possibilitando nos salvar.
Ele segue nos deixando contemplar a Sua face.
 
Por que isso?
 
Coincidentemente (já disse que não existe coincidência, né!) eu estava lendo “O Banquete” de Platão, e a resposta não poderia ter me ocorrido de forma mais certeira:
 
Porque Ele nos ama.
 
Isso é AMOR. O singelo e literal significo de amor.
 
De tantas definições de Amor, eu não poderia ter encontrado uma mais clara, mais forte, mais real, mais efetiva.
 
Não importa o quanto você se questione porquê Ele fez e faz tudo isso, nunca terá uma resposta que não seja “por AMOR”.
 
Então quando me perguntarem o que é o Amor, a resposta será: DEUS!

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